Dados da pesquisa de Joel Dutra: as notas dos empregados das organizações privadas e públicas do Brasil para "Satisfação e Motivação" caem continuamente há pelo menos cinco anos.
Aposto que isso é porque a imensa maioria das organizações no país (e no mundo) não beneficia realmente em nada as pessoas e os seus empregados estão cada vez mais conscientes disso.
A maioria das organizações age de forma oposta, inclusive. Visando apenas o lucro, olhando só para seus próprios interesses, estimula o consumo de produtos desnecessários, poluindo o ambiente, mantendo e estimulando a competitividade interna e externamente. Assim mantém-se esse grande esquema de produção empurrando consumo onde as pessoas, a natureza, tudo é visto como recurso. E falta sentido na vida.
Não adianta, por exemplo, um banco cobrar juros abusivos - contribuindo para o endividamento da população mais pobre - e criar programas para fingir uma preocupação sócio-ambiental. Nem seus empregados nem seus clientes são tão ingênuos.
A pesquisa organizada por Joel e divulgada na revista Exame "as melhores empresas para se trabalhar" deveria considerar também o impacto real das empresas analisadas no mundo. Não apenas os benefícios que as empresas oferecem a seus colaboradores.
Para os mais jovens, a insatisfação e desmotivação para trabalhar nessas empresas é maior, segundo as pesquisas de Joel. Para estes trabalhadores, uma alternativa de trabalho seriam as ONGs, como instituições mais conscientes. Porém, hoje em dia no Brasil é preciso um grande esforço para encontrar uma ONG que não seja apenas fachada, tentando obter dinheiro do Governo sem oferecer benefícios reais aos seres e ao mundo. Por outro lado, parece haver um crescimento do interesse em empreendedorismo social.
Há quem vá além e questione o próprio valor do trabalho formal, como neste interessante texto em Inglês.
Outro fator a ser considerado é que, com a automação, muitos empregos onde se via algo realmente sendo feito foram acabando, dando lugar a empregos sem sentido em vez de diminuir as horas de trabalho. Esse tema é aprofundado, em Português, aqui e, em Inglês, aqui e aqui. Há muitos casos de depressão e fadiga crônica e outros problemas psicológicos causados pela nossa forma de trabalhar (sem sentido) que talvez não sejam problemas pessoais, mas sim de nossa forma de viver coletivamente errada, conforme fala este artigo em inglês, que também caracteriza o problema como mundial. Não é algo apenas no Brasil. Pelo contrário. Veja esse texto excelente sobre os malefícios das cadeias longas de produção em posição à produção local, recomendando também alguns boicotes para pararmos de agir tão aleatoriamente nas compras. Fiz até uma lista do que boicoto também. E já há questionamentos sobre a filantropia de grandes empresas ou empresários.
Finalizo com um vídeo sobre educação que pode ajudar a abrir nossos olhos:
E outro vídeo que continua atualíssimo, e pode ser uma ótima explicação para a satisfação e motivação continuamente decrescente nas empresas: A história das coisas. Outro vídeo imperdível sobre materialismo.
Obs.: Em abril de 2015, saindo da teoria pra prática, me demiti do emprego público sem sentido. No mesmo período em que achei este belo debate nO lugar sobre o cansaço da vida normal. Em 2016, recomendo esse link sobre o empreendedorismo.
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quarta-feira, 16 de abril de 2014
Satisfação e Motivação
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segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
Geração e aproveitamento de ideias em organizações
Criatividade não é importante só na poesia. Segue um resumo do belo trabalho “Programas de sugestões: elementos que estimulam a geração de ideias para a gestão da inovação nas organizações“. Estava pesquisando o tema e achei tão genial e necessário este trabalho, que resolvi resumi-lo aqui, para que talvez mais pessoas se interessem e leiam (e reflitam).
De Roger Waters a Osho, diversos artistas e pensadores nos ajudam a perceber: vivemos em um mundo que reprime nossa criatividade. E desde muito cedo. Paradoxalmente, as organizações sobrevivem cada vez mais graças a ideias criativas, inovações e empreendedorismo. 97% dos executivos entrevistados no trabalho acreditam na importância dessa tríade, porém só 7 a 9% adotam processos práticos para tornar inovações realidade…
Vantagens do estímulo a novas ideias nas organizações (por meio de programas de sugestões):
- Criação de novos produtos, processos e serviços, aproveitando e estimulando a criatividade de seus próprios colaboradores;
- Melhoria nas inovações: redução de custos, retrabalho e tempo
- Melhoria nas inovações: aumento da segurança, produtividade e qualidade;
- Em resumo, cria vantagem competitiva.
Ambiente ideal de uma organização para a geração de ideias:
- Missão e valores acessíveis e claramente formulados;
- Permissão e estímulo a experimentação e liberdade;
- Investimento em desenvolvimento pessoal e profissional;
- Política de distribuição dos lucros;
- Técnicas para geração e divulgação massiva das ideias.
Exemplos de empresas brasileiras que já tiveram programa de sugestões relatados na literatura:
- Volkswagen;
- Suzano;
- Brasilata;
- C & A;
- Siemens;
- Grupo Fleury.
O trabalho se alonga em muitos outros detalhes interessantes, como classificação das inovações, cultura de inovação, liderança, motivação, gestão de ideias, gestão da inovação, ferramentas de TI, modelos para o tratamento das ideias etc.
Porém, penso ser mais importante - ao invés de aprofundar cada detalhe neste resumo - destacar algo que percebi em minha própria experiência profissional como administrador de empresas: a maior dificuldade desse tipo de programa é se manter, de forma contínua e constante. No início, a tendência é haver uma avalanche de sugestões. Depois de algum tempo, os colaboradores que não obtém respostas adequadas às suas ideias, acabam se desestimulando e param de contribuir. Perdendo-se esse fluxo, fica cada vez mais difícil encontrar ideias que agreguem valor expressivo à organização.
“Everything great that has ever happened to humanity since the beginning, has begun as a single thought in someone’s mind and if anyone of us is capable of such a great thought then all of us have the same capacity, capability, because we are all the same.” Yanni (grifo meu)
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